A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO) realizou, na última sexta-feira (26), em Mineiros, a Abertura Estadual da Colheita de Milho da 2ª Safra 2026. O encontro reuniu mais de 700 produtores rurais, representantes de cooperativas, indústrias, entidades do setor e autoridades para discutir o cenário da cultura no Estado, as perspectivas do mercado e os desafios enfrentados pelos produtores diante da redução da produção provocada pelas condições climáticas da safra.
A programação técnica começou com a apresentação dos resultados preliminares da Expedição Safra 2025/2026, realizada pelo Sistema Faeg/Senar/Ifag/Sindicatos Rurais. Durante o levantamento, técnicos percorreram mais de 2.400 quilômetros em diversas regiões produtoras de Goiás. Os dados apontam área cultivada de 1,75 milhão de hectares, redução de 3,85% em relação à segunda safra anterior. A produtividade média foi estimada em 86,4 sacas por hectare, queda de 26,1%, enquanto a produção deverá atingir 9,03 milhões de toneladas, volume 28,9% inferior ao registrado no ciclo passado.
O debate sobre o mercado reuniu representantes de diferentes segmentos da cadeia produtiva. O presidente da Cooperativa Mista Agropecuária do Vale do Araguaia (Comiva), Cássio Carrijo, apresentou a evolução da demanda por milho impulsionada pelos setores de confinamento bovino, avicultura e suinocultura. Já o Head de Sustentabilidade da Milhão Ingredients, Rafael Mendanha, destacou o crescimento do consumo pela indústria de alimentos e os programas desenvolvidos para ampliar a oferta da matéria-prima em parceria com produtores rurais.
Representando a Aprosoja Brasil, o presidente interino da entidade e presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, abordou a expansão da indústria de etanol de milho em Mato Grosso e seus efeitos sobre o consumo interno do cereal. O negociador de commodities da MBRF, Daikson de Oliveira, apresentou a visão da indústria de proteína animal, destacando a dependência do milho para alimentação das aves e a influência da oferta sobre o planejamento das compras.
O cenário internacional foi apresentado pelo consultor da Safras & Mercado e palestrante do evento, Paulo Molinari. Segundo ele, a demanda mundial continua aquecida, especialmente na Europa, enquanto Argentina e Estados Unidos mantêm desempenho consistente tanto na produção quanto nas exportações. Apesar desse ambiente, Molinari alertou que os produtores brasileiros devem manter atenção ao comportamento do mercado. "O produtor brasileiro precisa dar vazão. Em Goiás, se o mercado permanecer como está, não haverá alta de preço nos próximos 90 dias", afirmou.
Durante a abertura oficial, o presidente da Aprosoja-GO, Clodoaldo Calegari, destacou que o principal resultado do encontro foi promover o intercâmbio de informações entre os diferentes elos da cadeia produtiva. Ao comentar as dificuldades enfrentadas nesta safra, ele ressaltou a capacidade de adaptação dos agricultores. "O produtor é resiliente, não desiste. Não é uma fase de dificuldade que vai nos tirar da atividade", declarou.
Lucas Costa Beber também defendeu maior aproximação entre o setor produtivo e a sociedade. Segundo ele, ampliar a comunicação sobre a atividade agropecuária contribui para demonstrar a participação dos produtores na economia brasileira. "Precisamos trabalhar a comunicação para que o produtor rural seja reconhecido não como vilão, mas como herói, que ajuda a controlar a inflação e impulsiona o crescimento da economia do País", disse.
A programação foi encerrada com uma colheita simbólica em uma área da Agropecuária Invernadinha, marcando oficialmente o início da colheita da segunda safra de milho em Goiás.
Fonte: Agro e Prosa





