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Milhão Regenera 2026 em Montividiu atrai gigantes do mercado

Por Carlos André 29 Maio 2026 Publicado em Estado
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Agricultura regenerativa no milho blinda safra contra seca

O clima severo tem desafiado o produtor rural brasileiro ano após ano, exigindo soluções que vão além do manejo tradicional. Diante de uma crise hídrica severa que castiga o estado de Goiás, um evento realizado ontem, no dia 28 de maio, em Montividiu (GO), provou que a agricultura regenerativa deixou de ser uma tendência de futuro para se tornar uma ferramenta de sobrevivência e alta rentabilidade no presente.

O Milhão Regenera 2026, sediado na Fazenda Irmãos Rossetti, reuniu agricultores, especialistas e gigantes da indústria global de alimentos para mostrar, na prática, como solos bem manejados resistem a mais de 50 dias sem chuva e continuam entregando resultados impressionantes.

 

O cenário atual do agronegócio exige resiliência financeira e ambiental. Enquanto muitas propriedades vizinhas sofrem os impactos da estiagem prolongada, a área experimental do evento demonstrou um vigor impressionante. Esse resultado atrai o olhar atento de multinacionais que buscam atender às exigências de um mercado global cada vez mais focado na saudabilidade e na rastreabilidade.

O milho não transgênico e a busca global por saudabilidade

A demanda por alimentos limpos e sustentáveis transformou o perfil de compra das grandes indústrias alimentícias. Companhias de peso como Nestlé, PepsiCo, Kervos e Grupo Mars estiveram presentes no evento para acompanhar de perto a jornada do grão, desde a semente até o ingrediente final. Essa conexão direta entre quem planta e quem transforma o alimento agrega um valor comercial indispensável ao produto final.

“Nós estamos vivendo um mundo de busca de saudabilidade. E o milho não transgênico é um produto mais saudável, é o que a gente sempre busca. As grandes indústrias de alimentação hoje do Brasil e do mundo têm buscado esse conceito e é onde a Milhão aposta todas as fichas dela”, destaca Luciano Carneiro, CEO da Milhão Ingredients.

 

 

Além do grão convencional livre de transgênicos, a companhia também desenvolve o mercado de milho orgânico. Esse portfólio atende com precisão às metas de governança ambiental e social (ESG) das corporações globais, abrindo novos canais de exportação e contratos de fornecimento de longo prazo para o produtor rural goiano.

 

Milhão Regenera 2026: Sudoeste goiano como vitrine global

O evento consolidou a região como um dos polos tecnológicos mais importantes do país para o desenvolvimento de práticas sustentáveis. A evolução do projeto, que teve etapas cruciais consolidadas no encontro de 2024 focado em plantas de cobertura e insumos biológicos, agora em 2026 expande a abordagem para integrar toda a cadeia produtiva — ligando a tecnologia de solo diretamente ao desenvolvimento de ingredientes industriais de alto valor.

Abaixo, veja os pilares que sustentaram a dinâmica de campo e as discussões estratégicas do encontro:

  • Visita de Campo e Experimentos: Demonstração prática com experimentos de Milho Flint e avaliações de sanidade radicular.
  • Manejo Sustentável no Campo: Análise do uso estratégico de compostagem orgânica e defensivos biológicos.
  • Conexão de Cadeia: Alinhamento técnico entre os critérios produtivos das propriedades e o padrão de qualidade exigido pelas indústrias parceiras.
  • Inteligência de Mercado: Palestras voltadas para as tendências de consumo global e precificação diferenciada do milho NON GMO (não modificado geneticamente).

Técnica na prática: Como resistir a 58 dias sem chuva?

O grande diferencial do dia de campo foi a comprovação de que o manejo sustentável no campo protege o patrimônio do agricultor contra as intempéries do clima. Em uma área que enfrentava quase dois meses de estiagem absoluta, os participantes puderam tocar na terra e avaliar o vigor das plantas.

O solo como organismo vivo

Para mitigar o risco climático, o segredo reside na construção do perfil do solo e no tratamento da terra como um organismo biológico ativo. O uso contínuo de biológicos e a rotação de culturas aumentam a matéria orgânica, permitindo que o solo retenha umidade por muito mais tempo.

Resultados que surpreendem o mercado

A combinação dessas técnicas resulta em tetos produtivos elevados, mesmo sob estresse severo. Enquanto o manejo convencional sofre perdas drásticas, a área manejada sob os preceitos regenerativos demonstrou potencial produtivo estimado entre 120 e 130 sacas por hectare. Isso comprova que a estabilidade de produção protege a receita do negócio agrícola nos anos mais difíceis.

Rentabilidade na última linha: O bolso do produtor rural

Para o produtor rural, qualquer mudança de manejo precisa se justificar financeiramente. A transição para o modelo regenerativo tem se mostrado uma resposta sólida para o cenário de margens apertadas e custos de produção elevados observados no período pós-pandemia.

Ao adotar insumos biológicos e otimizar o uso de fertilizantes químicos por meio da compostagem, o agricultor reduz a dependência de pacotes tecnológicos importados e dolarizados.

Como ressalta Claudiomiro Rossetti, sócio-proprietário da Fazenda Irmãos Rossetti, a escolha traz previsibilidade: “Esses anos difíceis, anos de custo caro, pós-pandemia, eu acredito que se você planta um produto que tem valor agregado, você vai diminuir o seu custo. Então, nessa ponta do negócio, o que importa é a última linha, que é dinheiro no bolso”.

O papel da indústria e do manejo biológico

A viabilidade técnica desse sistema é reforçada pela assistência e pela estrutura de originação de grãos. Segundo Hudson Gama, diretor de Originação da Milhão, o objetivo principal do acompanhamento técnico é fazer com que o produtor compreenda os ganhos acumulados ao longo das safras.

A utilização de biológicos reduz gradativamente a necessidade de intervenções químicas pesadas, limpando a lavoura e entregando um grão mais saudável para o consumidor final. O resultado líquido desse processo é uma operação eficiente, segura para o meio ambiente e altamente lucrativa para o campo.

A cobertura jornalística completa da jornada do milho em Montividiu, incluindo entrevistas exclusivas em vídeo com os organizadores, produtores e representantes da indústria, foi realizada pelo portal Rio Verde Rural, conduzida pelo comunicador agro Leonardo Freitas, e pode ser acessada detalhadamente no perfil do Instagram @rioverderural.

Este conteúdo é de responsabilidade do site Rio Verde Rural. Para reprodução, é necessário citar a fonte: www.rioverderural.com.br, conforme a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98)

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