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Cigarrinha do milho causa prejuízos bilionários no agro

Por Carlos André 08 Abril 2026 Publicado em Estado
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Cigarrinha do milho em lavoura causa danos e perdas na produção

cigarrinha do milho consolidou-se como a principal ameaça fitossanitária da cultura no Brasil, impondo perdas bilionárias ao produtor rural e pressionando diretamente os custos de produção. Um estudo da Embrapa revela a dimensão do problema: entre as safras 2020/2021 e 2023/2024, o país deixou de produzir cerca de 2 bilhões de sacas de milho, acumulando prejuízo de R$ 133,1 bilhões.

Na média anual, as perdas chegaram a 22,7% da produção nacional, o equivalente a 31,8 milhões de toneladas por safra. Em termos financeiros, o impacto supera US$ 6,5 bilhões por ano, evidenciando que a cigarrinha do milho deixou de ser um problema pontual para se tornar um fator estrutural de risco na produção.

Cigarrinha do milho amplia perdas e custos no campo

Os dados mostram que o impacto mais severo ocorreu na safra 2020/2021, quando as perdas atingiram 28,9%. Já em 2023/2024, houve uma redução relativa para 16,7%, indicando avanços no manejo, mas ainda longe de um controle efetivo da cigarrinha do milho.

Além da quebra de produtividade, o produtor enfrenta aumento direto nos custos:

  • Alta de 19% nos gastos com inseticidas
  • Custo superior a US$ 9 por hectare
  • Necessidade de aplicações mais frequentes e nem sempre eficientes

O resultado é uma equação crítica: menor produção e maior custo, comprimindo margens e elevando o risco econômico da atividade.

Estudo da Embrapa aponta avanço estrutural da praga

O levantamento técnico reforça que a cigarrinha do milho passou a ocupar posição central no sistema produtivo. O problema deixou de ser sazonal e passou a atuar de forma contínua, acompanhando a expansão da cultura.

Entre os principais pontos destacados:

  • A praga apresenta alta capacidade de reprodução e dispersão
  • Já há registros de resistência a inseticidas
  • O controle isolado não tem sido suficiente

Esse cenário reforça a necessidade de estratégias mais robustas e integradas.

Ameaça ao produtor: enfezamentos comprometem a lavoura

A cigarrinha do milho é vetor de doenças altamente destrutivas, conhecidas como enfezamentos do milho, principalmente, Enfezamento pálido e Enfezamento vermelho.

Essas doenças comprometem o desenvolvimento das plantas, reduzem o enchimento de grãos e podem levar à perda total da lavoura.

Um dos principais desafios para o produtor:

  • Não existe tratamento curativo eficaz
  • Plantas infectadas não se recuperam
  • O impacto é maior em híbridos suscetíveis

Por isso, o foco deve estar no manejo preventivo.

Mudanças no sistema produtivo favoreceram a praga

Embora conhecida desde a década de 1970, a cigarrinha do milho ganhou força a partir de 2015, impulsionada por mudanças no modelo produtivo brasileiro.

Entre os fatores que ampliaram o problema:

  • Expansão da safrinha
  • Presença contínua de milho ao longo do ano
  • Formação da chamada “ponte verde”

Nesse contexto, o milho tiguera atua como hospedeiro, mantendo o inseto e os patógenos ativos entre uma safra e outra.

Impacto nacional e risco à competitividade

O avanço da cigarrinha do milho representa uma ameaça direta ao posicionamento do Brasil no mercado global. O país é o terceiro maior produtor mundial e um dos principais exportadores.

Para a safra 2025/2026, a projeção é de:

  • 138,4 milhões de toneladas
  • Valor de produção próximo a US$ 30 bilhões

Diante disso, a praga impacta diretamente:

  • Renda do produtor
  • Previsibilidade da produção
  • Estabilidade da oferta
  • Formação de preços

Ou seja, trata-se de um problema que ultrapassa o campo e afeta toda a cadeia.

Manejo integrado é essencial no controle

O enfrentamento da cigarrinha do milho exige uma abordagem estratégica e integrada. Medidas isoladas não são suficientes diante da complexidade do problema.

Principais recomendações técnicas:

  • Eliminação do milho tiguera: quebra do ciclo da praga
  • Sincronização do plantio: reduz migração entre lavouras
  • Uso de cultivares tolerantes: menor impacto produtivo
  • Controle precoce (até V8): evita infecção em fases críticas
  • Monitoramento constante: decisões mais rápidas
  • Controle biológico: alternativa frente à resistência química

Ação coletiva define resultados no campo

Um ponto central destacado por especialistas é que o controle da cigarrinha do milho depende de ação coordenada entre produtores.

Sem integração regional:

  • Áreas bem manejadas sofrem reinfestação
  • O controle perde eficiência
  • O custo aumenta

Portanto, o combate à praga exige organização coletiva e alinhamento técnico.

Alerta ao produtor rural

Os dados do estudo da Embrapa são claros: a cigarrinha do milho é hoje um dos principais fatores de risco da cultura no Brasil. O impacto vai além da produtividade e atinge diretamente a rentabilidade.

Diante desse cenário, o produtor que investir em planejamento, manejo integrado e monitoramento técnico, terá maior capacidade de proteger sua lavoura e manter a viabilidade econômica da atividade.

Este conteúdo é de responsabilidade do site Rio Verde Rural. Para reprodução, é necessário citar a fonte: www.rioverderural.com.br, conforme a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98)

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