Cigarrinha do milho em lavoura causa danos e perdas na produção
A cigarrinha do milho consolidou-se como a principal ameaça fitossanitária da cultura no Brasil, impondo perdas bilionárias ao produtor rural e pressionando diretamente os custos de produção. Um estudo da Embrapa revela a dimensão do problema: entre as safras 2020/2021 e 2023/2024, o país deixou de produzir cerca de 2 bilhões de sacas de milho, acumulando prejuízo de R$ 133,1 bilhões.
Na média anual, as perdas chegaram a 22,7% da produção nacional, o equivalente a 31,8 milhões de toneladas por safra. Em termos financeiros, o impacto supera US$ 6,5 bilhões por ano, evidenciando que a cigarrinha do milho deixou de ser um problema pontual para se tornar um fator estrutural de risco na produção.
Cigarrinha do milho amplia perdas e custos no campo
Os dados mostram que o impacto mais severo ocorreu na safra 2020/2021, quando as perdas atingiram 28,9%. Já em 2023/2024, houve uma redução relativa para 16,7%, indicando avanços no manejo, mas ainda longe de um controle efetivo da cigarrinha do milho.
Além da quebra de produtividade, o produtor enfrenta aumento direto nos custos:
- Alta de 19% nos gastos com inseticidas
- Custo superior a US$ 9 por hectare
- Necessidade de aplicações mais frequentes e nem sempre eficientes
O resultado é uma equação crítica: menor produção e maior custo, comprimindo margens e elevando o risco econômico da atividade.
Estudo da Embrapa aponta avanço estrutural da praga
O levantamento técnico reforça que a cigarrinha do milho passou a ocupar posição central no sistema produtivo. O problema deixou de ser sazonal e passou a atuar de forma contínua, acompanhando a expansão da cultura.
Entre os principais pontos destacados:
- A praga apresenta alta capacidade de reprodução e dispersão
- Já há registros de resistência a inseticidas
- O controle isolado não tem sido suficiente
Esse cenário reforça a necessidade de estratégias mais robustas e integradas.
Ameaça ao produtor: enfezamentos comprometem a lavoura
A cigarrinha do milho é vetor de doenças altamente destrutivas, conhecidas como enfezamentos do milho, principalmente, Enfezamento pálido e Enfezamento vermelho.
Essas doenças comprometem o desenvolvimento das plantas, reduzem o enchimento de grãos e podem levar à perda total da lavoura.
Um dos principais desafios para o produtor:
- Não existe tratamento curativo eficaz
- Plantas infectadas não se recuperam
- O impacto é maior em híbridos suscetíveis
Por isso, o foco deve estar no manejo preventivo.
Mudanças no sistema produtivo favoreceram a praga
Embora conhecida desde a década de 1970, a cigarrinha do milho ganhou força a partir de 2015, impulsionada por mudanças no modelo produtivo brasileiro.
Entre os fatores que ampliaram o problema:
- Expansão da safrinha
- Presença contínua de milho ao longo do ano
- Formação da chamada “ponte verde”
Nesse contexto, o milho tiguera atua como hospedeiro, mantendo o inseto e os patógenos ativos entre uma safra e outra.
Impacto nacional e risco à competitividade
O avanço da cigarrinha do milho representa uma ameaça direta ao posicionamento do Brasil no mercado global. O país é o terceiro maior produtor mundial e um dos principais exportadores.
Para a safra 2025/2026, a projeção é de:
- 138,4 milhões de toneladas
- Valor de produção próximo a US$ 30 bilhões
Diante disso, a praga impacta diretamente:
- Renda do produtor
- Previsibilidade da produção
- Estabilidade da oferta
- Formação de preços
Ou seja, trata-se de um problema que ultrapassa o campo e afeta toda a cadeia.
Manejo integrado é essencial no controle
O enfrentamento da cigarrinha do milho exige uma abordagem estratégica e integrada. Medidas isoladas não são suficientes diante da complexidade do problema.
Principais recomendações técnicas:
- Eliminação do milho tiguera: quebra do ciclo da praga
- Sincronização do plantio: reduz migração entre lavouras
- Uso de cultivares tolerantes: menor impacto produtivo
- Controle precoce (até V8): evita infecção em fases críticas
- Monitoramento constante: decisões mais rápidas
- Controle biológico: alternativa frente à resistência química
Ação coletiva define resultados no campo
Um ponto central destacado por especialistas é que o controle da cigarrinha do milho depende de ação coordenada entre produtores.
Sem integração regional:
- Áreas bem manejadas sofrem reinfestação
- O controle perde eficiência
- O custo aumenta
Portanto, o combate à praga exige organização coletiva e alinhamento técnico.
Alerta ao produtor rural
Os dados do estudo da Embrapa são claros: a cigarrinha do milho é hoje um dos principais fatores de risco da cultura no Brasil. O impacto vai além da produtividade e atinge diretamente a rentabilidade.
Diante desse cenário, o produtor que investir em planejamento, manejo integrado e monitoramento técnico, terá maior capacidade de proteger sua lavoura e manter a viabilidade econômica da atividade.
Este conteúdo é de responsabilidade do site Rio Verde Rural. Para reprodução, é necessário citar a fonte: www.rioverderural.com.br, conforme a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98)



































