Pedágio na BR-452: instalação de pórticos gera polêmica
O pedágio na BR-452 tornou-se o centro de uma intensa discussão entre produtores rurais e transportadores neste início de 2026. Enquanto a concessionária Rota Verde Goiás avança com a instalação física dos pórticos de cobrança eletrônica, o estado das pistas após os fortes temporais que atingiram o sudoeste goiano levanta questionamentos severos sobre a viabilidade da cobrança antes das melhorias estruturais prometidas.
Condições da BR-452 e o impacto das chuvas em 2026
O início de 2026 foi marcado por temporais severos, especialmente nas regiões de Rio Verde e Jataí, o que agravou drasticamente as condições da BR-452. A indignação é sintetizada em uma pergunta: “Vão cobrar pedágio de R$ 7,00 para a gente cair nesse buraco aqui?”.
Para quem atua na logística no agronegócio, a situação é crítica. A rodovia, que deveria ser um corredor de exportação eficiente, apresenta-se como um gargalo perigoso. A revolta dos usuários não é apenas contra a taxa em si, mas contra a precariedade de uma pista simples que, mesmo com pedágio confirmado, ainda não oferece a segurança de uma rodovia moderna.
Pressão sobre a Rota Verde Goiás e prazos de cobrança
A concessionária Rota Verde Goiás enfrenta uma pressão crescente da sociedade civil e de entidades representativas do setor produtivo. Ainda não há data definida para início da cobrança do pedágio nem os valores de cada praça, mas o sentimento geral é de que a cobrança é prematura.
A principal exigência é que a duplicação prometida seja entregue antes que o primeiro real seja debitado dos motoristas. O cronograma atual de instalação é o seguinte:
- Pórticos em montagem: Estruturas metálicas já estão sendo posicionadas em pontos estratégicos.
- Sistema Free Flow: Cobrança automática sem cancelas, visando fluidez, mas que depende de uma pista em condições mínimas.
- Localização: Serão 11 pórticos distribuídos entre a BR-060 e a BR-452 (Goiânia a Itumbiara).
Goiás e o estigma de “Estado do Pedágio”
A implementação do pedágio na BR-452 reacendeu uma comparação amarga com a BR-153, administrada pela Triunfo Concebra. A hashtag #GoiásOEstadoDoPedágio tem ganhado tração, refletindo a percepção de que o estado está sendo “cercado” por praças de cobrança de todos os lados.
Essa percepção de cerco logístico preocupa o produtor rural, que vê sua margem de lucro encolher a cada novo pórtico. A comparação com outras concessões aumenta a desconfiança sobre se a Rota Verde conseguirá, de fato, transformar a BR-452 em uma rodovia de padrão internacional ou se o motorista goiano ficará apenas com o custo adicional.
Estrutura do Pedágio Eletrônico: O que esperar?
Diferente do modelo tradicional, o sistema adotado será o eletrônico (sem paradas). Entenda os componentes instalados:
- Sensores de Solo: Identificam o número de eixos e a categoria do veículo.
- Câmeras OCR: Fazem a leitura automática das placas para veículos sem TAG.
- Antenas de Rádio: Captam o sinal das TAGs de pagamento automático.
- Iluminação LED: Garante a captura de imagens precisas mesmo durante a noite ou sob chuva intensa.
A instalação desses “postos inteligentes” exige obras civis nas margens da rodovia, com içamento de grandes vigas metálicas sobre a pista. A concessionária alerta que, nas próximas semanas, bloqueios parciais podem ocorrer para garantir a segurança dos operários e dos condutores.
O pedágio na BR-452 é apresentado como o caminho para a modernização, mas o sucesso da concessão depende da entrega de resultados tangíveis. Para o agronegócio, o custo logístico só é justificável se houver redução no tempo de viagem, economia de combustível e, acima de tudo, preservação de vidas em uma pista que hoje é sinônimo de perigo.
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