A produtora rural Lia Katzer, que atua em Jataí, Goiás, traçou um panorama de grande apreensão para a safra de soja e milho, marcado pela escassez hídrica, alta nos custos de produção e a necessidade de uma gestão empresarial cada vez mais rigorosa no campo.
Lia Katzer conversou com o Rio Verde Rural e foi enfática ao afirmar que o setor vive um momento de tripla pressão: “crise de preço, crise política, crise de fornecimento de chuva”.
A Luta Contra a Seca no Plantio da Soja
A produtora, que comanda a fazenda em um modelo de sucessão familiar ao lado de outras duas mulheres, detalhou os impactos da falta de chuvas na safra 2025/2026. A situação climática forçou a interrupção do plantio de soja de uma maneira que ela não via há anos.
Durante a entrevista ao Rio Verde Rural, ela relatou a experiência inédita de ter que recolher o maquinário:
“Nesses 15 anos que eu planto, eu nunca tive que recolher plantadeira, guardar no barracão e esperar a chuva no intervalo de 10 dias, 12 dias.”
A escassez é quantificada nos dados: o volume de chuvas de novembro até a data da entrevista representava menos da metade do acumulado no mesmo período do ano anterior (70 mm contra 145 mm). A soja plantada mais cedo, já entrando na fase reprodutiva, está em risco, necessitando de 6 a 8 mm de água por dia que simplesmente não chegam.
Custos Altos e a Margem Zero para Arrendatários
Além do clima, o cenário econômico impõe um “custo de sobrevivência” que estrangula o produtor, especialmente aquele que paga arrendamento.
Lia Katzer revelou ao Rio Verde Rural que o custo de produção em sua área própria está em torno de 60 sacas de soja por hectare. A expectativa de colheita dela, em área própria e consolidada, é de 78 a 80 sacas por hectare, o que ainda garante uma margem.
No entanto, a produtora goiana fez um alerta grave para quem não possui terra própria:
“Você coloca um produtor que tem um arrendamento que gira em torno de 15 a 20 sacas, praticamente não tem lucro.”
Em sua análise para o Rio Verde Rural, ela também explicou que os altos custos atuais são, em parte, um resquício dos anos de preços recordes (soja a R$ 180-R$ 200), que impulsionaram investimentos e endividamento, mas cujos juros agora pesam com a queda nos preços e as condições climáticas desfavoráveis.
Soluções: Gestão, Tecnologia e União
Diante de um ano desafiador, a produtora destacou a importância da organização e do trabalho em conjunto.
Lia Katzer enfatizou ao Rio Verde Rural que a lição de 2025 é clara: “o ano é difícil, mas sozinho é muito pior”. Ela citou o associativismo como crucial para avanços em logística, exemplificando a pavimentação de estradas vicinais na região, um projeto viabilizado com a colaboração dos próprios produtores.
Olhando para o futuro, Lia Katzer destacou o novo sistema tributário como um dos grandes desafios, exigindo uma estrutura empresarial bem organizada:
“O produtor que anota no caderninho vai ficar para trás. Você tem que ter uma empresa viva, uma holding, com planejamento tributário. É um grande desafio.”
A expectativa agora é pela regularização das chuvas, fundamental para o desenvolvimento da soja e para que a produtora possa trazer “notícias excelentes da produtividade” em um próximo contato.
Fonte: Rio Verde Rural



































