O agronegócio goiano não é só a espinha dorsal da economia do estado — é também um gigante no cenário nacional, combinando força produtiva, diversidade de culturas e um papel cada vez mais estratégico no comércio exterior. A nova edição da Radiografia do Agro Goiano, publicada pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-GO), traz um raio-x completo desse universo: números de produção, desempenho no mercado interno, exportações, Valor Bruto da Produção (VBP) e recortes por cadeia produtiva. Tudo isso com base em fontes oficiais como Conab, IBGE, Agrostat/Mapa e ComexStat/MDIC.
Safra de grãos 2023/24: Goiás continua jogando no time dos gigantes
A área plantada no estado chegou a 7,2 milhões de hectares, com uma produção estimada em 30,2 milhões de toneladas e produtividade média de 4,1 toneladas por hectare. Mesmo com um recuo em relação à safra anterior, o patamar continua elevado.
Na “cesta de grãos”, o protagonismo é da dupla dinâmica: soja e milho. Só a soja rendeu 16,8 milhões de toneladas, enquanto o milho fechou em 11,3 milhões. Juntos, eles respondem pela maior fatia do VBP e dominam a pauta de exportações. Sorgo, feijão, trigo, algodão, arroz, girassol e gergelim completam o cardápio.
Mercado interno: Ceasa-GO mostra a força da produção local
O abastecimento interno também dá sinais claros de fortalecimento. Em 2024, a Ceasa-GO comercializou 990,8 mil toneladas, movimentando R$ 4,03 bilhões. E tem um detalhe importante: 61,2% desse volume veio de produtores goianos, um ganho significativo de participação ao longo dos anos.
Os grupos campeões em volume foram hortaliças e frutos (247,6 mil t), frutos nacionais (146,1 mil t), raízes e tubérculos (132,2 mil t) e hortaliças folhosas (47,3 mil t). Isso mostra que Goiás não é só exportação: o estado garante comida fresca na mesa do goiano e de mercados vizinhos.
Valor Bruto da Produção: R$ 107,8 bilhões e uma concentração estratégica
O VBP goiano bateu R$ 107,81 bilhões em 2024. As lavouras levaram a maior fatia (R$ 72,27 bi, ou 67%), enquanto a pecuária respondeu por R$ 35,54 bi (33%).
Entre as lavouras, o ranking é dominado por quatro culturas:
- Soja: 48%
- Cana-de-açúcar: 18,9%
- Milho: 16,3%
- Tomate: 9,2%
Na pecuária, a ordem é outra, mas também bem concentrada:
- Bovinos: 49,7%
- Frango: 24,6%
- Leite: 15,9%
- Suínos: 6%
- Ovos: 3,8%
No cenário nacional, Goiás ocupa a 5ª posição no VBP do agro, confirmando peso relevante no mapa agrícola brasileiro.
Ponto de atenção: a alta concentração em soja e proteína animal significa dependência de preços internacionais e riscos sanitários. Qualquer oscilação lá fora pode balançar a economia aqui.
Exportações: Goiás é player global, mas precisa diversificar destinos
Em 2024, Goiás exportou US$ 12,26 bilhões e importou US$ 5,61 bi, garantindo um superávit de US$ 6,65 bi. A China reina absoluta como principal destino, levando sozinha cerca de US$ 5 bilhões. Vietnã e Indonésia também figuram no top-10.
Na pauta do agro, a ordem é clara:
- Complexo soja: 56,6%
- Carnes: 22%
- Cereais e farinhas: 7,8%
- Sucroalcooleiro: 7,6%
Tradução prática: dependemos demais da China e dos grãos. O caminho? Mais valor agregado (óleo, farelo, carne processada) e ampliação de mercados.
Cadeias produtivas: de gigantes a nichos promissores
O relatório também mergulha em produtos específicos. Exemplos:
- Algodão: 151 mil toneladas, VBP de R$ 561,5 milhões, exportações de US$ 107,7 milhões — quase tudo em fibra. China, Vietnã e Indonésia lideram as compras.
- Tomate: Goiás é líder nacional, com 1,46 milhão de toneladas, respondendo por 32,2% do VBP brasileiro do setor.
- Alho: estado é o 2º maior produtor do Brasil, com 56,2 mil toneladas; Cristalina sozinha responde por 41,1 mil t.
- Abacaxi: 44,8 milhões de frutos, com Ceasa absorvendo mais de 76% da produção local.
- Abacate: 20,2 mil toneladas comercializadas na Ceasa, mostrando nicho em expansão.
- Feijão: Goiás é forte, com 274,4 mil t, e a 3ª safra tem peso enorme (64,9% do total).
- Cana-de-açúcar: domina no valor, com VBP de R$ 13,6 bilhões, forte presença em exportações de açúcar e etanol.
Outros destaques: mandioca, banana, limão, laranja, café, palmito, tangerina, gergelim, girassol — cada um com dados de produção e participação no VBP.
Pecuária: carne, leite e ovos formam o tripé da força animal
A pecuária goiana é outro gigante. Só o rebanho bovino responde por quase metade do VBP da pecuária. Goiás é destaque também em aves, ovos e suínos:
Ovos de galinha: 252,3 milhões de dúzias, 9ª posição no ranking nacional.
Suínos: quase 2 milhões de cabeças abatidas, 8º lugar no Brasil.
Frango: Goiás é o 5º maior exportador de carne de frango.
Leite: 15,9% do VBP da pecuária, garantindo posição de destaque no país.
Tendências e desafios para o futuro
A Radiografia não é só um retrato: ela traz sinais claros para onde caminhar.
Alguns pontos-chave:
- Diversificação de mercados e produtos: reduzir dependência da China e do complexo soja.
- Fortalecer cadeias internas: hortifruti com 61,2% de origem goiana é oportunidade para programas de compras públicas e varejo.
- Gestão de riscos climáticos e de preço: ampliar irrigação, seguro rural e ferramentas de hedge.
- Valor agregado: mais óleo, farelo, carne processada e derivados têxteis para capturar margens.
- Logística: investimentos em armazenagem e escoamento são vitais, já que exportamos principalmente granéis.
fonte: www.rioverderural.com.br



































