1. MENU
  2. CONTEUDO
  3. RODAPE

Exportações brasileiras para os EUA caíram pela metade desde 2001

Por Lucas Silva 16 Julho 2025 Publicado em Mundo
Votação
(0 votos)

Ao longo dos anos, os Estados Unidos perderam relevância na pauta de comércio do Brasil. De 2001 a 2024, a participação americana no total de exportações brasileiras regrediu de 24,4% para 12,2%, ou seja, caiu praticamente à metade.

 

Os números que mostram esse comportamento fazem parte do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (14).

 

Enquanto a participação americana nas nossas exportações caiu 51%, a da China, atualmente o principal parceiro comercial do Brasil, aumentou mais de oito vezes, indo de 3,3% para 28% no período de 2001 a 2024.

 

A União Europeia com menos 44% e a América do Sul, menos 31%, também perderam espaço para o gigante asiático no intervalo de 23 anos. Mesmo com esses dois grupos de países perdendo participação, ainda ficam na frente dos Estados Unidos.

 

Participação nas exportações brasileiras:

 

China: 28%

União Europeia: 14,3%

América do Sul: 12,2%

Estados Unidos: 12%

 

O Ibre FGV elaborou o ranking com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

 

O Icomex faz análises sobre comércio exterior, como o comportamento da balança comercial, a diferença entre exportação e importação, e provê atenção especial nesta edição ao tarifaço prometido pelo presidente americano Donald Trump, que anunciou taxação de 50% de produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos a partir de 1º de agosto.

 

O levantamento aponta também a perda de relevância americana nas nossas importações. Em 2001, vinham dos Estados Unidos 22,7% do que o Brasil comprava de outros países. Em 2024, esse patamar foi reduzido a 15,5%. Essa diferença significa recuo de 32%.

 

No mesmo período, a participação chinesa saltou mais de dez vezes, indo de 2,3% para 24,2%. A União Europeia viu a participação nas nossas importações cair 31% e a América do Sul, recuar 45%.

 

Participação nas importações brasileiras:

 

China: 28%

União Europeia: 18%

Estados Unidos: 15,5%

América do Sul: 10,2%

Exportações diversificadas

 

O estudo aponta que as exportações para os americanos têm um perfil diversificado. Para efeito de comparação, quando se trata de China, apenas três produtos respondem por 96% do que o Brasil vende: petróleo, soja e minério de ferro.

 

Já no caso dos Estados Unidos, 10 produtos representam 57% das exportações brasileiras.

 

Participação dos principais produtos da pauta de exportação para os EUA:

Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus: 14%

Produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço: 8,8%

Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes: 6,7%

Café torrado: 4,7%

Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas: 4,4%

Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos): 4,3%

Celulose: 4,1%

Demais produtos - Indústria de Transformação: 3,8%

Instalações e equipamentos de engenharia civil e construtores, e suas partes: 3,6%

Sucos de frutas ou de vegetais: 3%

 

O Ibre/FGV aponta também que conjuntos de produtos siderúrgicos, aeronaves, sucos vegetais e escavadeiras seriam os mais atingidos pela ação americana, pois dependem bastante da maior economia do mundo:

ferro fundido bruto e ferro spiegel: 86% das exportações vão para os EUA;

produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado: 72,5%;

veículos aéreos (helicópteros e aviões): 63%;

pás mecânicas e escavadeiras: 53%;

sumos de frutas: 34%

 

Busca por mercados

 

A pesquisadora associada do Ibre/FGV Lia Valls, consultora do Icomex, avalia que alguns produtos brasileiros, como carnes e sucos, podem prospectar nossos destinos.

 

“Essa parte das commodities [produtos primários comercializados em grandes quantidades] pode ser que consiga”, acredita.

 

No entanto, ela avalia que não é simples buscar novos países compradores de produtos que ficarão inviáveis para entrar nos Estados Unidos com o aumento de preço.

 

“O país não consegue, em um prazo curto, desviar as exportações. Tem alguns tipos de produtos, principalmente da indústria de manufatura, muitos deles que são fabricados pelas multinacionais americanas, em que talvez já não seja tão simples colocar em outros mercados. Além do que, tem uma concorrência muito grande com a própria China”, explica.

 

Agência Brasil

Instagram Radio EldoradoTwitter Radio Eldorado

 

Enquete Eldorado

Você já sabe em quem vai votar nas eleições para presidente?