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CIÊNCIA | Técnica de 'ressuscitação' causa polêmica

Por Eduardo Candido 17 Novembro 2014 Publicado em Ciência
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Imagem ilustrativa Imagem ilustrativa Reprodução

Uma dupla de médicos dos Estados Unidos divulgou este mês uma descoberta que tem chamado a atenção da comunidade científica. Peter Rhee, da universidade do Arizona, e Samuel Tisherman, da Universidade de Maryland, desenvolveram uma técnica, que conforme eles, permite ressuscitar mortos.


Os estudos da dupla resultaram em uma técnica que consiste em retirar todo o sangue do indivíduo e resfriá-lo até 20 graus abaixo da temperatura normal. No lugar do sangue é colocada uma solução salina que ajuda a rebaixar a temperatura do corpo do paciente para algo entre 10 e 15 graus Celsius.


Após o problema que causou a morte ser resolvido, o sangue é bombeado de volta ao corpo. Quando a temperatura do organismo atinge 30 °C o coração volta a bater, de acordo com os médicos.


“Quando seu corpo está com temperatura de 10 graus, sem atividade cerebral, batimento cardíaco e sangue – é um consenso que você está morto. Mas ainda assim, nós conseguimos trazer você de volta”, disse o professor Peter Rhee em entrevista à rede BBC.


Até agora a técnica foi testada em porcos e cerca de 90% deles se recuperaram quando o sangue foi bombeado de volta. Após o procedimento, os testes cerebrais revelaram que não houve dano ao órgão.


A novidade foi recebida com receio por alguns médicos. Alguns preferiram não se posicionar publicamente a respeito do assunto.


Os especialistas ouvidos informaram que já existem tratamentos de hipotermia bem estabelecidos em situações específicas, como cirurgias cardíacas e neurológicas, além do atendimento de pacientes pós-recuperação de parada cardiorrespiratória.


O professor adjunto de Cardiologia da Universidade Federal de Goiás (UFG), doutor em Ciências da Saúde pela UFG e presidente da Sociedade Goiana de Cardiologia (SGC), Thiago Veiga Jardim, considera que a pesquisa vem mostrando resultados promissores em animais e reconhece que o tema é bastante complexo e por esse motivo é preciso ser observada com cautela. “É um campo de pesquisa que sempre desperta grande interesse e, por isso, há grande repercussão, mas como disse anteriormente são estudos iniciais em modelos animais. Trazer isto para humanos e ainda disponibilizar o uso em grande escala requer muito tempo, ótimos resultados e grandes investimentos. Talvez para um futuro não tão próximo quanto gostaríamos. Não vejo uma viabilidade para utilização deste procedimento em curtos prazos”, acredita.


O médico nefrologista e membro da Associação Médico Espírita do Estado de Goiás Dezir Vencio entende que a viabilidade dos estudos merece atenção, porém deve estar fundamentada em “evidências clínicas e científicas que levem em consideração reprodutibilidade, consistência, qualidade e aplicabilidade, atualmente, ainda, não alcançadas pela medicina em humanos”.


O profissional de saúde respondeu aos questionamentos acompanhado pelos filhos Luiz Fernando Cunha Vencio (radiologista), Sérgio Alberto Cunha Vencio (endocrinologista) e Paulo Roberto Cunha Vencio (pneumologista) e ressaltou que: “As aplicações desse estudo convergem para a assistência em pacientes em parada cardiorrespiratória já instalada ou em fase de instalação. Em estudos atuais, esses procedimentos seguem as linhas determinadas pela American Heart Association, que são discutidas a cada cinco anos em congresso médico específico e que determina as diretrizes de atendimento à parada cardiorrespiratória, baseadas em evidência e, até o momento, o estudo do dr. Peter Rhee não foi reproduzido em humanos”, o que para ele é sinal de que o assunto ainda está em análise científica.


Espírito
O fisiologista Joaquim Tomé de Souza, membro e ex-presidente da Associação Médico Espírita do Estado de Goiás, também conhecido como professor Tomé, ficou curioso a respeito do assunto e foi taxativo ao comentar o que acontece com o espírito em caso de morte do corpo. “Se o espírito já desligou, não volta mais, a menos que seja uma situação de quase morte, quando o espírito entra no estado de letargia e o processo de morte não se consolida e o espírito volta.” No entanto, ele afirma que esta não é uma regra e sim uma espécie de exceção para espíritos que ainda têm algo a cumprir na Terra. “Isso acontece apenas para o espírito que tem o compromisso de voltar”, destaca.


Para ele, é necessário observar com cautela as informações divulgadas uma vez que os resultados são de testes feitos com animais. Tomé ressalta que o mais delicado é cuidar do cérebro. “Os neurônios, as células cerebrais, são as mais sensíveis à falta de nutrientes, entretanto, elas não ficariam sem estes porque certamente estarão circulando, mesmo em baixa temperatura (e também em baixa velocidade), no líquido que está substituindo o sangue. O neurônio, em seu metabolismo consome muita glicose e oxigênio e, é claro, além de outros nutrientes, mas certamente todos eles estão sendo ofertados no líquido circulante”, acredita.


Dezir Vêncio também acredita que enquanto o espírito não se desliga do corpo o procedimento é possível, o que pode propiciar que ele tenha “variadas percepções sensoriais, tais como: visão de um túnel, com uma luz no final, de pessoas conhecidas ou desconhecidas, e do próprio corpo sendo atendido, relatar conversas do ambiente ao acordarem, sensação de dor ou de desconforto, ou nada sentir/relatar, ao voltar”, descreve.


Humanos
Os pesquisadores já conseguiram autorização para testar a técnica em humanos. As cobaias serão vítimas de armas de fogo em Pittsburgh, cidade que fica no noroeste dos EUA, no Estado da Pensilvânia.


Um dos desafios a ser encarado é a questão do sangue. Nos testes com porcos foi usado o próprio sangue dos animais congelados, no caso dos humanos será necessário usar o estoque de bancos de sangue. (Com informações da BBC)


A barreira espiritual
Para o especialista da Associação Médico-Espírita de Goiás, se o espírito se desligou do corpo, não volta mais. Somente enquanto haver ligação da alma com o corpo é possível que haja o ressuscitamento, explica o professor Tomé


Fonte: Diário da Manhã/Deivid Souza

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