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Censo Escolar registra queda de 4% em matrículas do ensino médio nas escolas públicas

Por Marcelo Justo 30 Dezembro 2019 Publicado em Educação
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Imagem ilustrativa Imagem ilustrativa Reprodução/G1

As matrículas no ensino médio em escolas públicas caíram em 2019 e tiveram o pior desempenho entre todas as etapas do ensino básico em relação ao verificado no ano passado, de acordo o Censo Escolar.


Foram 6.192.819 alunos matriculados no ensino médio.


O número é 4,34% inferior ao registrado em 2018, com 6.462.124 estudantes inscritos nesta etapa.


A queda nas matrículas também foi verificada no ensino fundamental (etapa que vai do 1º ao 9º ano) e na educação de jovens e adultos (EJA).


Por outro lado, os números divulgados nesta segunda-feira (30) indicam que o número de crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches aumentou 4,24%.


Em 2019 foram 2.432.216 vagas preenchidas em creches, contra 2.333.277 no ano anterior.


O Censo Escolar é realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC).


O total de matrículas é importante para a distribuição de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e para a execução de programas na área da educação.


Ensino fundamental e médio
O número de alunos matriculados no ensino fundamental em 2019 caiu 1,62% em relação a 2018 – foi de 21.760.831 alunos para 21.413.391.


No ensino médio, a queda foi de 4,34% – de 6.462.124 matrículas no ano passado para 6.192.819.


Apesar de haver uma redução no número de estudantes matriculados nesta última etapa da educação básica, o ensino médio integral cresceu no setor público.


Em 2018, 10% dos alunos do ensino médio estudavam no período estendido. Neste ano, a taxa subiu para 11,4%.


Esse é, inclusive, um dos objetivos do Ministério da Educação (MEC) na reforma do ensino médio.


Para a coordenadora do Distrito Federal da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Catarina de Almeida Santos, a queda nas matrículas vem de anos anteriores.


Ela disse a reportagem que há uma redução na oferta de vagas para este nível e um "estrangulamento" no sistema de ensino.


"É um problema sério porque se cria uma reserva para o EJA. Os estudantes acabam não cursando o ensino médio na idade adequada", disse a professora.


Creches e pré-escola
Sobre as creches, o Censo mostrou que o número de matrículas nas escolas públicas cresceu 4,24% entre 2018 e 2019 – foi de 2.333.277 para 2.432.216 alunos.


Os colégios municipais continuam responsáveis por quase a totalidade dos matriculados nessa etapa.


Na pré-escola, também houve aumento no número de matriculados – a elevação foi de 0,8%.


Eram 3.915.699 crianças nas escolas públicas e, em 2019, o índice subiu para 3.947.335.


Catarina de Almeida avalia que o aumento nas matrículas para creches e pré-escolas ainda está abaixo do necessário.


"Não é só aumentar as vagas, mas universalizar. Estamos crescendo pouco porque a meta, a previsão era de que houvesse ao menos 50% da demanda atendida até o final de 2024", Catarina de Almeida Santos.


A especialista disse que o aumento sensível na oferta das vagas é reflexo dos esforços de municípios em atender esta demanda.


"Não é um momento em que a gente possa comemorar", ressalta.


Educação de Jovens e Adultos (EJA)
O número de matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA), na modalidade presencial, caiu 9,62% - de 2.878.165 de alunos em 2018 para 2.625.462 em 2019.


Catarina disse que a tendência é que as matrículas no EJA diminuam ainda mais no próximo Censo, ela disse que o Brasil não aprovou neste ano nenhuma política pública de estado para esta parte da educação.


"A tendência é de piora. Isso porque o EJA sempre esteve muito atrelado aos programas do Governo Federal, que neste ano não executou nada nesta área", disse a especialista.


Fonte: G1 Brasília (com adaptações)

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