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MPF considera Marconi Perillo líder de organização focada em recebimento de propinas

Por Marcelo Justo 08 Dezembro 2018 Publicado em Polícia
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Marconi Perillo (PSDB) Marconi Perillo (PSDB) Reprodução/Mais Goiás

Materiais e provas apreendidas nas operações Cash Delivery e Confraria, respectivamente em setembro e dezembro, bem como denúncias anônimas comprovadas pela Polícia Federal (PF) apontam que o ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) – detido em outubro – seria o líder de uma organização criminosa focada na obtenção de propina e consequente lavagem de dinheiro.


Os recursos, ora advindos da empreiteira Odebrecht, ora da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Estado de Goiás (Codego), de acordo com o Ministério Público Federal (MPF), eram – pelo menos desde 2010 – angariados por pessoas vinculadas e da confiança do tucano e aplicados em campanhas de aliados políticos assim que eram legalizados.


Preso e interrogado na Cash Delivery, o ex-coordenador de campanha do governador José Eliton (PSDB), ex-presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) e considerado braço direito de Perillo, Jayme Rincon, revelou que o Policial Militar (PM) e encarregado de buscar valores da Odebrecht em São Paulo, Sérgio Rodrigues de Souza, retornava à Goiânia carro ou de voo particular.


Também disse que os valores obtidos eram destinados “em sua grande maioria” para campanha de candidatos aliados. “Parte dos valores era oficializada com ajuda de empresas parceiras e todo o montante destinado à campanha de Marconi Perillo foi legalizado”.

 

 

Para o procurador do MPF Goiano, Hélio Telho Telho, as afirmações de Jayme constituem “fortes indícios” de que Perillo não só seria a liderança do grupo, mas o responsável por montar e manter “uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro, formada por ‘empresas parceiras’, para ocultar a origem da propina recebida, não só, da Odebrecht”, consta no pedido feito pelo MPF à Justiça Federal para ensejar as novas prisões temporárias de Jayme e demais envolvidos.


As referidas empresas parceiras, segundo o MPF, seriam prestadoras de serviços contratadas pelo Estado de Goiás, para executar obras sob responsabilidade da Agetop. Codego e Sanegado também estariam envolvidas.


“Ponta do iceberg”
Segundo os investigadores e delações de executivos da Odebrecht, Marconi Perillo solicitava propina e encarregava Jayme de providenciar sua busca, que, por sua vez, era realizada também pelo PM Márcio Moura.


As suspeitas são que, por intermédio de Rincon, Perillo teria recebido, entre 2010 e 2014 cerca de R$ 13 milhões para suas campanhas eleitorais.


Em troca, ele teria ficado de patrocinar os interesses da empresa no Estado. Para a Telho, entretanto, esta é apenas a “ponta do iceberg”.


“A organização criminosa não se limitou a cobrar propina da Odebrech e a lavar o dinheiro correspondente, mas permaneceu cobrando de outras fontes para se perpetuar no poder, financiando campanhas eleitorais não só de Perillo, mas de outros políticos da Base aliada”.


Novamente preso na quinta-feira (06/12) na Operação Confraria juntamente com outros supostos atores no relatado esquema, Jayme e seu grupo tiveram cerca de R$ 10 milhões apreendidos, entre veículos de luxo (foto), joias e dinheiro em espécie, além de imóveis em Aruanã, Búzios (RJ) e no Distrito Federal.


Para Hélio Telho, as diligências reuniram provas de que a conjecturada organização criminosa estava em “plena atividade” de ocultação e dissimulação de “vasto patrimônio” com origens não declaradas à Receita Federal.


“A organização criminosa se instalou e se ramificou pela estrutura administrativa do estado de Goiás”, afirmou o procurador.

 

carros de luxo pf 2018


Defesa
Conforme expõe o advogado de Marconi Perillo, o nome do ex-governador só é citado na petição do MPF e na decisão da Justiça Federal (JF) porque ambos os órgãos, bem como a Polícia Federal (PF), têm interesse em manter o processo em âmbito federal, como se fosse um desdobramento da Cash Delivery.


“O Marconi não é investigado nesse caso [Confraria] e não tem nenhuma relação com o foco da investigação, que é uma questão patrimonial do Jayme e dos demais envolvidos.


Isso é um artifício usado pelo procurador e pelo juiz para que o processo permaneça na Justiça Federal. Então, o nome do Marconi não aparece na investigação porque não tem nenhuma relação com isso, é apenas utilizado artificialmente para manter uma competência federal”.


Fonte: Mais Goiás (com adaptações)

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