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Escoamento da safra pode reduzir margens e perda de competitividade em Goiás

Por Marcelo Justo 28 Março 2018 Publicado em Agricultura
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Caminhão Caminhão Reprodução

A colheita está sendo feita em algumas regiões e com ela a atenção se volta para a logística.


A maior parte da safra é escoada pelas estradas que, segundo análise da Confederação Nacional do Transporte (CNT), tem algum tipo de deficiência em 65,4% da extensão avaliada em pesquisa de 2017.


Sem opções, produtores se preocupam nesta época com a situação da porteira para fora, que pode reduzir margens e trazer perda de competitividade, a partir das estradas vicinais até a chegada aos portos.


Uma situação que na análise do assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Pedro Arantes, não tem muita alteração com que ocorreu na safra passada.


“No caso dos portos, depois que acabou as filas, nos últimos anos, melhorou. Mas nas rodovias não tivemos investimentos suficientes e no caso da ferrovia está prevista para este ano a privatização da Norte-Sul, que uma vez privatizada ainda vai levar tempo para funcionar a contento”, resume.


Assim, pontua que a preocupação maior é porque a safra vai ser mais concentrada pelo atraso do plantio o que vai concentrar o transporte também.


“A capacidade armazenadora a nível de propriedade é pequena, de 8% a 9%, o grosso tem de ser transportado e isso deve gerar algum desconforto, falta de caminhão e elevação de frete”.


No Brasil, de acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), só a safra de grãos chegará a 227,9 milhões de toneladas, sendo que 21,6 milhões de toneladas devem sair de Goiás para serem transportadas.


A opção da hidrovia São Simão para levar especialmente ao Porto de Santos é pontuada como outra expectativa.


“Pouco é transportado, duas empresas fazem o uso e ficou parada muito tempo e não tem indicado que vá rodar bem”, analisa.


Sendo assim, a atenção é voltada para os milhares de quilômetros que terão de ser percorridos por rodovias.


O analista técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Alexandro Alves, lembra que há indicativos de vários problemas recorrentes, apesar de ter tido melhorias recentes nas rodovias estaduais.


“As BRs de um modo geral também estão em boas condições, mas podemos citar a BR-153, a coluna vertebral norte-sul, que tem problemas”, diz ao ponderar que quando o transporte ganhar mais volume a partir de fevereiro é que será possível identificar com maior clareza os pontos de maior problema e que levam prejuízos ao campo.


O produtor de grãos José Roberto Brucceli, por exemplo, estima elevação de cerca de 30% dos custos por conta da logística.


“O frete é calculado de acordo com a distância e condição da estrada e filas”, lamenta.


Com produções em Rio Verde, Montividiu, São Antônio da Barra, Quirinópolis e Santa Helena de Goiás, ele explica que a atenção começa com as estradas vicinais que ligam as propriedades às vias asfaltadas e que com as chuvas se tornam canais de escoamento de água, porque são mais baixas do que o solo que está plantado, e assim erosões são formadas e dificultam o tráfego de caminhões.


Nas rodovias, cita que no sentido Paraúna - Rio Verde os buracos são outra preocupação.


“O asfalto vira casca de ovo com as chuvas por não ter controle de tráfego, balança nas rodovias, e a malha não consegue resistir. Dependendo da condição, o frete sobe de 10% a 20%”, afirma.


Com 4 mil hectares de soja, ele começou a colher em janeiro e estima que será preciso cerca de 500 caminhões para a retirada do grão e mais 360 só para o milho safrinha que havia armazenado.


“Quando era pequeno, me lembro que o Sarney lançou a Ferrovia Norte-Sul para integração nacional e que iria cortar os Estados. Hoje, com 63 anos, os dormentes chegaram a Rio Verde, mas o trem virá mesmo para os netos”, pontua ao citar que hidrovia também não é uma opção pelo preço e as possibilidades ofertadas.


“Acaba sendo melhor transportar pela via rodoviária porque em dois dias chega ao Porto de Santos (SP)”, diz.


Para ele, essa é a saída e é preciso investimentos nas estradas a começar pelas responsabilidades das prefeituras com as vicinais.


Fonte: Faeg (com adaptações)

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