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Fugas de presídios no 1º bimestre de 2018 aumentam 75% em relação ao mesmo período do ano passado, aponta DGAP

Por Marcelo Justo 13 Março 2018 Publicado em Região
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Presídios Presídios Reprodução/TV Anhanguera

Dados da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) apontam que nos dois primeiros meses de 2018 o número de fugas de detentos em Goiás aumentou 75% em relação ao mesmo período do ano passado.


No último bimestre, 167 presos escaparam enquanto em janeiro e fevereiro de 2017 essa quantidade foi de 95.


Especialistas apontam a superlotação, além falta de agentes penitenciários e de estrutura dos prédios como causas do aumento.


O promotor de Justiça Luciano Miranda, coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal (CAO Criminal) do Ministério Público, afirma que a situação é bastante crítica, principalmente no interior de Goiás.


As condições das unidades, segundo ele, são assustadoras.


"O que nós temos principalmente no interior do estado são presídios de papelão. Já presenciei alguns locais em que o indivíduo com cabo de vassoura conseguiu quebrar o forro e fugir por lá mesmo. É um amadorismo completo e total", afirma.


Atualmente, Goiás possui 141 unidades prisionais e mais de 20 mil detentos. Porém, por conta da falta de vagas, algumas delegacias, que deveriam abrigar os presos temporariamente, têm de fazer o trabalho de forma permanente.


Diante da situação, o investigador é obrigado a ficar no local para cuidar dos detidos.


Para tentar reduzir o déficit, o governo estadual já entregou dois presídios neste ano e promete inaugurar outros três.


Ao todo, serão abertas mais 1.588 vagas. O número, no entanto, não é suficiente para desafogar o sistema, que precisa de mais de 10 mil novas posições.


Além disso, o fato dessas novas cadeias não ter equipamentos de segurança para evitar entrada de celulares e drogas, por exemplo, também causa receio.


"Enquanto não houver dificuldade de acesso pelo preso a esta estrutura de drogas e celulares, o crime organizado vai continuar comando os presídios como até hoje é feito", pontua o promotor Luciano Miranda.


O número de agentes também está abaixo do ideal. A associação da categoria calcula que, atualmente, existe um agente para cada 53 presos, quando a relação recomendada para o Ministério da Justiça é de um para cinco.


Respostas
De acordo com o diretor-geral de Administração Penitenciária, coronel Edson Costa disse que o estado trabalha com o intuito de minimizar as fugas do sistema prisional.


"Na verdade, o preso sempre vai buscar uma forma de se esquivar e de fugir. O Estado é que, logicamente, tem que buscar as condições pra viabilizar a segurança e impedir isso", afirma.


Em nota enviada à TV Anhanguera, o Governo de Goiás informou que contratou 2 mil vigilantes temporários e que vai fazer concurso para contratar quase 1,1 agentes.


A administração estadual também questionou os dados da associação dos agentes penitenciários de que um agente, hoje, precisa tomar conta de 53 presos.


A conta do governo, que inclui agentes e visitantes, que, juntos, somam 4 mil servidores para cuidar de 20 mil presos.


Sobre os equipamentos, o governo disse que está em fase final a compra de scanners e esteiras de raio-X e que o monitoramento é feito com revistas e equipamentos portáteis.


Fugas
Logo no primeiro dia de 2018, 106 presos escaparam da Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto, em Aparecida de Goiânia, durante uma rebelião.


Na ocasião, nove presos morreram. No complexo, ocorreram ainda outros dois motins em cinco dias.


Uma semana depois, no dia 7 de janeiro, outros 11 detentos fugiram da cadeia de Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. Um deles filmou os colegas escaparem após um reeducandos serrar o cadeado da cela.


Para não serem reconhecidos nas ruas, eles tingiram as roupas, que são brancas, com pó de suco laranja.


Fonte: G1 Goiás (com adaptações)

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