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Mauricio de Sousa seleciona crianças para interpretarem a Turma da Mônica em carne e osso

Por Marcelo Justo 03 Maio 2017 Publicado em Cinema & TV
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Turma da Mônica Turma da Mônica Reprodução/Mais Goiás

O desenhista Mauricio de Sousa seleciona crianças de Goiás e de outros estados brasileiros para interpretar os personagens mais famosos da ficção infantil brasileira, também conhecidos em outros 29 países: Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão.


Esta é a primeira vez em mais de 50 anos, desde que foram criados, que os integrantes da Turma da Mônica sairão dos quadrinhos, de onde fazem parte do imaginário de gerações de brasileiros, para trilogia nos cinemas em carne e osso (ou ‘live action’). Os interessados em atuar no primeiro filme, intitulado ‘Laços’, podem se inscrever gratuitamente neste site, até 15 de maio.


Baseado na graphic novel homônima mais vendida no mercado brasileiro, o longa “Laços” narrará a história de amor incondicional de uma criança pelo seu cãozinho de estimação e a importância da amizade. No roteiro, Floquinho desaparece e o seu dono, Cebolinha, conta com a ajuda dos amigos Mônica, Magali e Cascão em um plano infalível para encontrá-lo.


A história une o clássico dos personagens do Mauricio de Sousa a uma narrativa repleta de emoções e perigos, roteirizada e desenhada por Lu e Vitor Caffagi. O filme, que chegará aos cinemas do Brasil e da América Latina em junho de 2018, é uma coprodução da Quintal Digital e Latina Estúdio com a Mauricio de Sousa Produções.


Mas tem alguns requisitos
As inscrições dos candidatos devem ser realizadas por seus responsáveis legais, sendo que as idades mínima e máxima exigidas são de 8 (oito) e 12 (doze) anos completados em 2017, respectivamente. É obrigatório que os candidatos apresentem boa frequência na escola e aproveitamento escolar satisfatório em instituição de ensino reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).


O site do filme disponibilizará formulário pelo qual deverão ser enviados até três fotos junto com link do YouTube, em até 1 (um) minuto de duração, com performance artística de livre escolha da criança relativa ou não aos personagens dos quadrinhos. Para concluir o cadastro, os representantes também deverão disponibilizar os seus contatos (telefone e e-mail), além informações sobre perfis e medidas pessoais dos aspirantes. Não é exigido o registro profissional para atores, popularmente conhecido por ‘DRT’.


Todo o processo seletivo, gratuito, será realizado na cidade de São Paulo e os locais serão informados com antecedência aos candidatos pela produção do longa. Envolve audições e testes de atuação artística, entre maio e julho, além de oficinas e laboratórios de vídeo, em agosto. Possíveis despesas com transporte, acomodação e alimentação de candidatos e seus responsáveis legais durante esse período deverão ser arcadas de forma exclusiva pelos participantes.


As crianças serão avaliadas por uma banca liderada pelo diretor de ‘Laços’, Daniel Rezende, e que também será composta por produtores da Quintal Digital e da Latina Estudio. Todas as etapas de produção são supervisionadas pelo pai da Turminha, que se diverte diante de uma ansiedade incontida em ver as suas criaturas humanizadas.


“Será que abriremos mão do roteiro original e o Floquinho virá com pelagem branca ou manteremos o esverdeado que o consagrou? E o Cebolinha, virá só com poucos fios de cabelos espetados ou lhe daremos uma cabeleira mais generosa?”. A brincadeira também questiona a percepção dos fãs sobre a adaptação que o cinema exige.


Critérios para a escolha
“Como seria se a Turminha existisse de verdade?”. Esta é a questão que, segundo o produtor executivo Cao Quintas, norteia todo o trabalho da equipe de produção. Desde a criação do primeiro personagem – o Cebolinha em 1960 – Mauricio de Sousa sempre se pautou pela observação do cotidiano de gerações de crianças e da família dentro e fora do Brasil.


“São hábitos, características e tipos diversos, que traduzem a identidade social de vários povos dentro e fora do Brasil, como a dislalia do Cebolinha e o prazer pela comida ainda na infância representado pela Magali, o amor pelos animais de estimação como Floquinho, entre outros aspectos”, explica o desenhista. Quintas ainda ressalta o resgate dos valores universais que os personagens transmitem. “O filme mostrará a origem dos Laços que mantêm a Turminha unida há mais de 60 anos”, revela.


De acordo com Rezende, o principal critério para seleção levará em conta a similaridade entre essas personalidades dos quadrinhos com as características dos candidatos.


“Nós não queremos, e nem conseguiríamos, moldar a espontaneidade dessas crianças àquilo que já existe na ficção. Por isso estamos em busca do que há de mais próximo entre o mundo real com a criação do Mauricio. É uma troca entre esses dois lados”, explica.


As outras qualidades que serão avaliadas nos candidatos são talento artístico, desenvoltura em cena e interação entre atores.


Questionado sobre as futuras cobranças dos fãs, Rezende afirma: “Manteremos boa parte das características dos personagens, mas é certo que o público pode esperar por novidades. Isso porque o cinema explora bem o sentido visual e trabalha com imagem em movimento, diferente dos quadrinhos. Então, estamos avaliando como serão as passagens de câmeras e dos atores em cena, assim como figurinos e maquiagem, por exemplo. Temos uma equipe que já pesquisa e desenvolve vários testes de adaptação”.


Rezende diz que existe grande possibilidade de novos personagens serem criados especialmente para o filme ‘Laços’ e manda um recado para adultos e crianças.


“Nem eu, nem o Mauricio de Sousa, incentivamos a competição entre os candidatos que vão participar da seleção. Por favor, entendam muito mais como um processo em que se busca extrair a similaridade da ficção com o mundo real do que com uma disputa”, afirma.


Em agosto deste ano, Daniel Rezende estreará nos cinemas o filme ‘Bingo: O Rei das Manhãs”, cinebiografia de Arlindo Barreto, que interpretou o palhaço Bozo em programas infantis de TV nos anos 80. O profissional já foi indicado ao Oscar pela edição de ‘Cidade de Deus’, em 2004, e ganhou o prêmio BAFTA, da Britsh Academy of Film and Television Arts, também como editor.


Fonte: Mais Goiás (com adaptações)

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