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PF cumpre mandados contra venda ilegal de carnes em Goiás

Por Marcelo Justo 17 Março 2017 Publicado em Mineiros
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PF PF Reprodução

A Polícia Federal (PF) cumpre em Goiás mandados judiciais da 'Operação Carne Fraca', deflagrada na manhã desta sexta-feira (17).


A operação, batizada de "Carne Fraca", apura o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. As ações também são realizadas no Distrito Federal e em mais cinco estados.


O nome da operação faz alusão à conhecida expressão popular em sintonia com a própria qualidade dos alimentos fornecidos ao consumidor por grandes grupos corporativos do ramo alimentício.


Conforme a PF, a expressão popular demonstra uma fragilidade moral de agentes públicos federais que deveriam zelar e fiscalizar a qualidade dos alimentos fornecidos a sociedade.


Veja o que se sabe até o momento:
- Agentes do governo teriam recebido propina para liberar licenças de frigoríficos
- Maiores empresas do setor são investigadas no esquema
- Ministro foi gravado em conversas com um dos líderes do esquema
- Frigoríficos vendiam carne vencida no mercado interno e no exterior
- 1,1 mil policiais cumprem mandados: 27 são prisão preventiva e 11 de prisão temporária


De acordo com a assessoria de imprensa da PF serão cumpridos 13 mandados judiciais em Goiânia, sendo um de prisão preventiva, quatro de conduções coercitivas e oito de busca e apreensão.


A corporação afirma que o esquema em Goiás era liderado pelo médico veterinário Dinis Lourenço da Silva, que é chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal/Divisão de Defesa Agropecuária/Superintendência Federal de Agricultura em Goiás (Sipoa/DDA/SFA-GO).


Na decisão em que os mandados judiciais foram expedidos, o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba (PR), destacou que Dinis Silva "trata-se de uma figura que, pelo que se observou das interceptações telefônicas, regularmente se envolve com práticas criminosas em troca dos mais diversos 'favores' prestados por representantes de empresas que deveriam ser fiscalizadas com isenção e profissionalismo". Assim, acatou o pedido de prisão preventiva do investigado.


O G1 tentou contato com Dinis Silva, mas o celular está desligado. A reportagem também tenta contato com a defesa dele. O Sipoa-GO também foi procurado, mas as ligações não foram atendidas.


O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, responsável pelo Sipoa-GO, também foi procurado, por e-mail e telefone, mas o órgão ainda não se pronunciou sobre o caso.


Frigoríficos
As investigações da operação chegaram às principais empresas do setor de carnes, como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas.


Em nota, a JBS esclareceu "que não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos. A empresa informa ainda que sua sede não foi alvo dessa operação". No entanto, explicou que a ação "ocorreu também em três unidades produtivas da companhia, sendo duas delas no Paraná e uma em Goiás. Na unidade da Lapa (PR) houve uma medida judicial expedida contra um médico veterinário, funcionário da Companhia, cedido ao Ministério da Agricultura.


Ainda na nota, a JBS destacou que "suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas".


A corporação destacou que "no Brasil e no mundo adota rigorosos padrões de qualidade, com sistemas, processos e controles que garantem a segurança alimentar e a qualidade de seus produtos. A companhia destaca ainda que possui diversas certificações emitidas por reconhecidas entidades em todo o mundo que comprovam as boas práticas adotadas na fabricação de seus produtos".


Por fim, a JBS destacou que "repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos – seja na produção e/ou comercialização - e se mantém à disposição das autoridades com o melhor interesse em contribuir com o esclarecimento dos fatos".


Em nota sobre a operação, a BRF disse que está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. A companhia reiterou que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas. A empresa ainda  "assegura a qualidade e a segurança de seus produtos e garantiu que não há nenhum risco para seus consumidores, seja no Brasil ou nos mais de 150 países em que atua".


Segundo a PF, a investigação de quase dois anos apontou que Superintendências Regionais do Ministério da Pesca e Agricultura do Estado do Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público. Os suspeitos utilizavam do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva.


Dentre as ilegalidades praticadas no âmbito do setor público, a PF diz que houve a remoção de agentes públicos com desvio de finalidade para atender interesses dos grupos empresariais. Tal conduta permitia a continuidade delitiva de frigoríficos e empresas do ramo alimentício que operavam em total desrespeito à legislação vigente.


A PF diz que essa é a maior operação da sua história. No total, 1,1 mil policiais federais cumprem os 27 mandados de prisão preventiva, sendo 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão em residências e em locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao grupo investigado em São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás.


Carne vencida
Gravações telefônicas obtidas pela Polícia Federal apontam que vários frigoríficos do país vendiam carne estragada tanto no mercado interno, quanto para exportação.


Entre produtos químicos e produtos fora da validade, há casos ainda mais "curiosos", como a inserção de papelão em lotes de frango e carne de cabeça em linguiça.


Diretores e donos das empresas estariam envolvidos diretamente nas fraudes, que contavam com a ajuda de servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no Paraná, Goiás e Minas Gerais.


Fonte: G1 Goiás (com adaptações)

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